Perde-se a conta aos milhares de vítimas das catástrofes naturais ocorridas desde o início deste ano - terramotos no Haiti e Chile, dilúvio e derrocadas na Madeira e outras desgraças do mau tempo que invadiu Portugal nos últimos meses... Ao mesmo tempo surpreenderam-me as redes de solidariedade quase que instantaneamente criadas para ajudar as vítimas dos mesmos. Numa sociedade que se diz individualista, em que cada vez mais os interesses pessoais se centram no bem-estar de cada um, são de louvar as iniciativas imediatamente desenvolvidas para ajudar aqueles que viram seus projectos destruídos e suas vidas viradas do avesso - o transporte gratuito de médicos e enfermeiros, roupas e bens de primeira necessidade, pelos CTT e companhias aéreas, entre outros. Mais surpreendente ainda foi constatar a enorme adesão de tais iniciativas. Por exemplo, ao fim de meia dúzia de dias da abertura da campanha dos CTT para a Caritas da Madeira, já não aceitavam doações, tal tinha sido a enorme remessa que tinham angariado.
Contudo, há outra questão, de extrema importância, sobre a qual devemos reflectir um pouco. Lamentam-se estas catástrofes e é espantoso ver a união solidária que rapidamente se estabelece, mas há a meu ver que corrigir algumas perspectivas, nomeadamente quando nos referimos a tais acontecimentos como "catástrofes naturais". É que estes fenómenos não têm nada de "natural", sendo consequência da forma como temos descuidado o nosso planeta, de forma a desorientar, por assim dizer, o normal curso da natureza.
Assim sendo, tomemos consciência das nossas acções e da quota de responsabilidade que cada um de nós assume neste processo, promovendo algumas alterações aos nossos comportamentos e zelando pelo bem-estar de todos nós.

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