
Estava eu a almoçar, a meio de mais um dia de trabalho, ouvindo o noticiário da tarde, quando me desperta a atenção uma notícia acerca de crianças que ficavam acorrentadas, em alguns países asiáticos, enquanto os pais iam trabalhar. Havia o caso de uma criança de 4 anos que permanecia acorrentada no jardim de casa durante o dia de trabalho do pai e outra, de 2 anos, acorrentada num poste público enquanto o pai trabalhava como taxista, uma vez que a mãe, deficiente mental, não reunia condições para tomar conta da criança e não tinham acesso às creches governamentais.
Ao ouvir tal coisa, emitimos imediatamente uma série de juízos de valor acerca destes comportamentos e associamos a casos de negligência parental. Mas gostaria de sugerir que parássemos um segundo e pensássemos estas questões com outra visão - o desespero que pode conduzir um pai a tal atitude. A verdade é que ambos os pais o faziam por receio do rapto de crianças, tendo um deles perdido uma filha uns meses antes. Claro que não se justifica tal coisa e, de acordo com os direitos humanos e, principalmente, das crianças, não se pode tolerar um comportamento humano desta natureza, é eticamente incorrecto, mas há que considerar as situações desesperantes e o medo que se instala nestas sociedades para levar um pai a agir desta forma e, portanto, procurar alterar a insegurança instalada.

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